A Umbanda Sagrada é uma religião brasileira, espiritualista, mediúnica e magística. Ela se fundamenta na fé em Deus, no culto aos Orixás e no trabalho dos guias espirituais em benefício da caridade, do equilíbrio e da evolução moral dos seres.
Sua prática não existe para gerar medo, dependência ou interesses particulares, mas para acolher, orientar, fortalecer e conduzir cada pessoa ao desenvolvimento da fé, da consciência e da responsabilidade espiritual.
A Umbanda Sagrada compreende a espiritualidade como caminho de transformação interior. Ela reúne fé, mediunidade, culto aos Orixás, atuação dos guias espirituais e prática da caridade em uma vivência religiosa voltada ao bem, ao equilíbrio e à evolução.
Ser umbandista não é apenas participar de rituais. É aprender a cultivar respeito, disciplina, humildade, amor ao próximo e responsabilidade diante da vida espiritual.
A Umbanda se formou em solo brasileiro a partir do encontro de diferentes influências religiosas e espirituais presentes na história do Brasil. Em sua base, encontramos elementos indígenas, africanos, cristãos, espiritualistas e mediúnicos.
Porém, isso não significa que a Umbanda seja apenas uma mistura de religiões. Ela nasceu em um contexto de diversidade espiritual, mas se organizou como uma religião brasileira com identidade, missão, doutrina, prática e ética próprias.
O marco público mais conhecido da Umbanda ocorreu em 1908, com Zélio Fernandino de Moraes e a manifestação do Caboclo das Sete Encruzilhadas. Esse acontecimento é lembrado como um momento importante para a afirmação pública da religião, diferenciando-a tanto do Espiritismo Kardecista quanto dos cultos de nação e do Candomblé da época.
Segundo a tradição umbandista, o Caboclo das Sete Encruzilhadas anunciou uma religião aberta a todos, sem distinção de cor, condição social ou origem, voltada à caridade e ao amparo espiritual. A partir desse marco, a Umbanda passou a se organizar de forma mais visível, reunindo o culto a Deus, aos Orixás e o trabalho dos espíritos guias por meio da mediunidade.
O marco de 1908 é importante porque tornou pública uma religião que acolhia espíritos, médiuns e consulentes sem distinção, afirmando a caridade como fundamento central.
É comum ouvir que a Umbanda é uma mistura de Candomblé, Espiritismo, Catolicismo e tradições indígenas. Essa explicação é simples, mas incompleta. A Umbanda realmente recebeu influências dessas tradições porque nasceu no Brasil, um país formado pelo encontro de muitos povos e culturas.
Ter influências, porém, não significa não ter identidade. A Umbanda possui seus próprios fundamentos: cultua Deus como princípio de tudo, reconhece os Orixás como divindades e Tronos Divinos, trabalha com guias espirituais por meio da mediunidade, pratica a caridade e busca a evolução espiritual do ser humano.
Por isso, a Umbanda não deve ser confundida com o Candomblé, embora também cultue os Orixás. Também não deve ser confundida com o Espiritismo Kardecista, embora trabalhe com a mediunidade e com a manifestação dos espíritos. A Umbanda é uma religião própria, com filosofia, práticas, fundamentos e linguagem espiritual próprios.
Rubens Saraceni foi médium, escritor umbandista e um dos principais responsáveis por organizar, ensinar e divulgar a Umbanda Sagrada em linguagem doutrinária, teológica e ritualística.
Suas obras ajudaram médiuns, dirigentes e estudantes a compreenderem a Umbanda como religião, e não apenas como prática ritual. Em seus livros, Saraceni apresenta a Umbanda Sagrada como uma religião dos Mistérios, fundamentada em Deus, nos Orixás, nos guias espirituais, na mediunidade responsável, na magia divina e na evolução moral dos seres.
Rubens Saraceni também esteve ligado ao Colégio de Umbanda Sagrada Pai Benedito de Aruanda, instituição de ensino religioso umbandista voltada à formação teológica, sacerdotal e magística dos médiuns, fundada em 13 de maio de 1999.
Quando falamos em Umbanda Sagrada, seguimos essa compreensão doutrinária: uma Umbanda com fundamentos próprios, voltada ao estudo, à prática responsável, à caridade, ao respeito à Lei Divina e à vivência equilibrada da fé.
Rubens Saraceni ajudou a organizar a Umbanda Sagrada em linguagem de estudo, explicando seus fundamentos, seus Orixás, suas linhas e sua prática espiritual.
A Umbanda é uma religião monoteísta. Ela crê em um Deus único, chamado também de Olorum, o Divino Criador. Deus é a origem de toda a vida, de toda a criação e de todas as leis que sustentam o universo.
Na Umbanda, Deus não é visto como uma força distante. Ele é a fonte da vida que se manifesta em tudo o que existe. A fé em Deus deve ser vivida com amor, respeito, gratidão e confiança, e não por medo.
A verdadeira religiosidade nasce quando a pessoa busca melhorar seus pensamentos, sentimentos, atitudes e escolhas. Por isso, a Umbanda não ensina apenas rituais. Ela ensina conduta, consciência, responsabilidade, caridade e reforma íntima.
Na Umbanda Sagrada, os Orixás são compreendidos como divindades de Deus, Tronos Divinos e Mistérios da Criação. Eles manifestam qualidades divinas que sustentam a vida, a natureza e a evolução dos seres.
Os Orixás não são forças separadas de Deus. Eles são expressões divinas que irradiam qualidades como fé, amor, conhecimento, justiça, lei, evolução e geração. Cada Orixá atua em um campo da criação e auxilia os seres em sua caminhada espiritual.
Cultuar os Orixás é buscar sintonia com essas qualidades superiores. É aprender a desenvolver fé, equilíbrio, amor, firmeza, sabedoria, ordem, transformação e respeito à vida.
A Umbanda Sagrada organiza sua compreensão espiritual a partir das Sete Linhas ou Sete Irradiações Divinas. Elas representam campos fundamentais da criação e expressam qualidades de Deus que atuam sobre todos os seres.
Essas linhas não são apenas nomes ou classificações. Elas representam formas de atuação divina na vida espiritual, mental, emocional e material dos seres.
A mediunidade é um dos fundamentos da Umbanda. Por meio dela, os guias espirituais se manifestam para orientar, acolher, esclarecer, amparar e trabalhar em benefício dos consulentes e da corrente espiritual da casa.
O médium, na Umbanda Sagrada, deve compreender sua faculdade como compromisso espiritual. A mediunidade não deve ser conduzida com vaidade, curiosidade ou interesse pessoal, mas com disciplina, humildade, estudo, responsabilidade e respeito à espiritualidade.
Desenvolver a mediunidade não é buscar privilégio espiritual. É assumir uma responsabilidade de serviço, aprendizado e vigilância interior.
Os guias espirituais são trabalhadores da Umbanda que atuam sob a regência dos Orixás. Eles se manifestam em linhas de trabalho, como Caboclos, Pretos-Velhos, Crianças, Baianos, Boiadeiros, Marinheiros, Exus, Pombagiras e outras correntes espirituais.
Cada linha possui sua forma própria de atuação, linguagem simbólica, campo de trabalho e modo de auxiliar os encarnados. Porém, todas devem trabalhar dentro da Lei Maior, da Justiça Divina e dos princípios de caridade, respeito e responsabilidade espiritual.
Na Umbanda Sagrada, os guias não existem para causar medo, impor vontades ou alimentar dependência. Eles trabalham para orientar, equilibrar, fortalecer e encaminhar cada pessoa ao seu próprio crescimento.
A Umbanda é uma religião de caridade. Seu trabalho espiritual não deve ser tratado como comércio, troca ou promessa de solução fácil. A verdadeira caridade umbandista acolhe, orienta e auxilia sem ferir o livre-arbítrio, sem manipular a fé e sem estimular práticas contrárias à Lei Divina.
Todo atendimento espiritual deve ser conduzido com seriedade, silêncio, respeito, disciplina e ética. A casa de Umbanda é um espaço sagrado, dedicado à oração, ao trabalho espiritual e ao amparo daqueles que buscam auxílio.
Na prática, isso significa que a Umbanda não deve ser usada para prejudicar pessoas, controlar vontades, alimentar vinganças ou prometer resultados que dependem da caminhada moral de cada ser.
A Cabana de Oxalá segue a Umbanda Sagrada como caminho de fé, caridade, disciplina e evolução espiritual. Nossos trabalhos são realizados com respeito à hierarquia espiritual e administrativa da casa, sempre voltados ao bem, ao acolhimento, à cura espiritual e ao equilíbrio dos consulentes.
A atuação da Cabana não incentiva práticas particulares, trabalhos fora da casa ou qualquer ação que contrarie o livre-arbítrio, a harmonia, a Justiça Divina e a Lei Maior. Todo trabalho espiritual deve ser realizado dentro da sustentação da casa, com autorização, responsabilidade e compromisso com a luz.
Para nós, a Umbanda Sagrada é uma religião de amor, mas também de ordem. É uma religião de acolhimento, mas também de disciplina. É uma religião de fé, mas também de consciência.